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● Música e Fotografia

Sain transforma a Lapa em uma rádio e expande os caminhos do rap em novo álbum

Última Mesa da Lapa

Korre Redação6 min de leitura · 4 out 2026

Em “Última Mesa da Lapa”, rapper carioca reúne 18 faixas, referências ao samba e participações especiais em um projeto inspirado nas memórias da cidade e na convivência entre amigos.

O que acontece quando um álbum de rap assume a estrutura de uma programação de rádio? Para o rapper carioca Sain, a resposta passa por lembranças de infância, encontros entre amigos e pela vida cotidiana da Lapa, no Rio de Janeiro. Lançado em 15 de outubro, Última Mesa da Lapa reúne 18 faixas em um projeto que combina música, locuções, vinhetas e conversas, criando uma experiência que vai além da sequência tradicional de canções.

Quarto álbum solo do artista, o trabalho tem como ponto de partida a relação com os bairros do Catete, da Glória e da Lapa, região que atravessa sua formação pessoal e musical. É nesse território que Sain encontra personagens, histórias e referências que ajudam a construir a identidade do disco.

A proposta também recupera uma experiência cotidiana: ouvir rádio em casa. Na infância, o rapper costumava acompanhar a programação ao lado da mãe, entre músicas, notícias e conversas. Essa lembrança se tornou o fio condutor de um álbum que alterna estilos e atmosferas como se o ouvinte estivesse sintonizando uma emissora.

Um álbum que funciona como programação de rádio

A estrutura de Última Mesa da Lapa aproxima o disco da experiência de uma transmissão contínua. Entre as músicas, aparecem intervenções sonoras, locuções e vinhetas que conectam as faixas e ajudam a construir um universo próprio.

A ideia também ganhou um desdobramento fora das plataformas de streaming: a Bloco 7 FM, rádio online criada para acompanhar o lançamento. A programação reúne sets de DJs, conversas e conteúdos relacionados ao álbum e ao círculo de artistas que participa do projeto.

A iniciativa amplia a proposta musical para outros formatos e recupera elementos da cultura das rádios independentes, nas quais a seleção de músicas e a personalidade de quem está atrás do microfone ajudam a definir a experiência de escuta.

Rap, samba e outras referências

Embora o hip-hop continue no centro do trabalho, o novo álbum percorre diferentes caminhos sonoros. O boom bap divide espaço com elementos de samba, R&B e música popular brasileira, em uma combinação que acompanha a diversidade de referências do artista.

Sain assina a produção musical de 17 das 18 faixas. O duo paulistano Deekapz participa da produção da faixa restante, enquanto Arthur Luna responde por parte do trabalho de mixagem e masterização.

O disco também reúne nomes de diferentes gerações e vertentes da música brasileira. Entre as participações estão BK’, Leall, Luccas Carlos, Akilla e DG. Já as vinhetas contam com intervenções de artistas como MC Carol de Niterói, João Gomes e Di Melo.

A variedade de convidados acompanha a proposta do projeto: construir uma experiência coletiva, na qual diferentes vozes e estilos convivem dentro de uma mesma programação.

A Lapa como território afetivo

A escolha da Lapa como eixo conceitual não se limita à localização geográfica. O bairro aparece como espaço de convivência, circulação musical e encontro entre pessoas, elementos que ajudam a dar forma às histórias contadas no álbum.

A imagem da mesa, presente no título e na identidade visual do projeto, reforça essa dimensão. Seja em uma reunião de amigos, em um bar ou durante uma refeição em família, ela representa um lugar onde conversas, memórias e relações se constroem.

Essa perspectiva também atravessa a maneira como Sain enxerga sua própria carreira. Em vez de seguir uma fórmula rígida, o rapper descreve um processo criativo baseado na experimentação, no desenvolvimento gradual das músicas e nas conexões que surgem durante a produção.

O resultado é um trabalho que combina a identidade do rap carioca com referências que fazem parte da trajetória pessoal do artista. Em Última Mesa da Lapa, a música funciona como ponto de encontro entre território, memória e liberdade criativa.